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sexta-feira, 30 de março de 2012

Liberdade e Censura na Imprensa


Questões como a liberdade de expressão, a liberdade de imprensa e a liberdade de comunicação estão sempre presentes nos debates que marcam nossa sociedade. Se não em termos concretos, pelo menos como sombras de outros assuntos que, às vezes, não parecem estar relacionados.

Desde o momento que comecei a me envolver com a debate teórico sobre o jornalismo, durante a faculdade de comunicação, sempre desconfiei do discurso da imparcialidade. Menos ainda concordo com o mito criado do jornalista como representante, defensor e guardião da opinião e interesse público. Assim sempre fui a favor que a profissão fosse regulamentada.

O problema ocorre porque a maioria das pessoas confunde censura com regulamentação. Isso talvez seja consequência do fantasma da ditadura militar. Mesmo que muita gente hoje em dia tenha apenas ouvido falar (e muitos nem ao menos isso), a ditadura é uma ameaça que está culturalmente impregnada no Brasil.

A seguir trago algumas citações que eu retirei do livro: PENA, Felipe. Teoria do jornalismo. 2.ed. São Paulo: Contexto, 2007. São frases e pensamentos que reforçam o que eu já pensava sobre a regulamentação da mídia no Brasil e a questão entre a liberdade de imprensa e censura, muitas vezes, falsamente levantada.

"(...) liberdade é um princípio não absoluto, submetido a um outro, muito maior, que é a dignidade humana, e os seus limites são os da alteridade, ou seja, o respeito pelo outro." (grifo original) p.106.

"Qualquer tentativa de promover uma sistematização legal e democrática dos meios de comunicação é logo interpretada como censura. Mesmo que a proposta seja discuti-la amplamente com a sociedade." p. 107.

"Será que os jornalistas estão acima dos conflitos humanos e podem prescindir da mediação de um contrato social avalizado pelo estado de direito, ao contrário de todas as outras atividades em sociedade?" (grifo original) p. 107.

"Gostamos do direito à liberdade, mas desconfiamos das responsabilidades inerentes a ela. Quando nos colocam regras de conduta, dizemos logo que é censura. Ao menos, é claro, que sejam as regras do patrão. Aí, damos outro nome: política editorial." (grifo original) p. 108.

Para quem está cursando a faculdade de Comunicação Social, é Jornalista formado ou apenas se interesse pelo assunto, recomendo que compre o livro Teoria do Jornalismo, de Felipe Pena. Vale a pena.

quarta-feira, 7 de março de 2012

O papel do jornal

"A internet, como ferramenta, é imbatível, mas dificilmente conseguirá oferecer ao leitor uma plataforma noticiosa organizada e um conjunto de narrativas como o oferecido pelos impressos. O fluxo - na verdade, o jorro - da internet é intenso e contínuo, esta a sua grande vantagem. É também a sua intrínseca desvantagem: impossível manter o mesmo padrão de contextualização de tantas informações ao longo de uma jornada. E, sem contextualização, desorganizado e fragmentado, o conhecimento pouco vale."
DINES, Alberto. O papel do jornal: e a profissão de jornalista. 9.ed. São Paulo: Summus, 2009.

terça-feira, 6 de março de 2012

Liberdade de Imprensa

"Eu resolvi me emancipar porque cheguei à seguinte conclusão: no Brasil, nunca houve, na realidade, liberdade de imprensa. O que existe e sempre existiu é a opinião do dono do jornal. Ora, a minha opinião nem sempre coincidia com a do meu patrão e eu era despedido. Então eu resolvi ser rico, para poder ter opinião como jornalista. No jornalismo como vocês sabem, só se faz fortuna sendo picareta ou então alugando opinião". Davi Nasser: entrevista a Manchete, Rio, nº. 704, de 15 de outubro de 1965 apud SODRÉ, Nelson Werneck. História da imprensa no Brasil. 4. ed. (atualizada). Rio de Janeiro: Mauad, 1999. p. 417.

"O jornal é menos livre quanto maior como empresa. O escândalo da infiltração de capitais estrangeiros em nossa imprensa carece em si mesmo de significação se não for inserido no longo e tortuoso processo de desnacionalização a que estamos sendo submetidos - é simples aspecto da crise da imprensa aqui." SODRÉ, Nelson Werneck. História da imprensa no Brasil. 4. ed. (atualizada). Rio de Janeiro: Mauad, 1999. p. 449.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Imprensa no Brasil

"Dentro de sua orientação tipicamente pequeno burguesa, os jornais refletiam a consciência dessa camada para a qual, no fim de contas, o regime era bom, os homens do poder é que eram maus; com outros homens, o regime funcionaria às mil maravilhas, todos os problemas seriam resolvidos. Assim, todas as questões assumiam aspectos pessoais e era preciso atingir as pessoas para chegar aos fins moralizantes."
SODRÉ, Nelson Werneck. História da imprensa no Brasil. 4.ed. (atualizada). Rio de Janeiro: Mauad, 1999. p. 331.